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Perante a crise profunda que o doente
atravessa e em face de doenças degenera-
tivas, de doenças com múltiplos factores,
da incompreensão e por vezes da impos-
sibilidade de catalogar uma patologia, a
palavra científica perde a sua força e o
doente apela para mais humanidade, me-
lhores resultados e qualidade de vida. O
rigor científico para ele, doente, vem num
outro plano.
O problema torna-se alarmante ao nível
das doenças imunitárias respiratórias.
Adolescentes e crianças são acometidas de
crises constantemente traumatizantes
pelas urgências hospitalares onde são
transportados. Vêem os seus casos
agravar-se e as crises tornarem-se cada
vez mais frequentes. As toneladas de anti -
bióticos e cortisonas consumidos parecem
ser impotentes. Constata-se um aumento
do número de casos de asma de mais ou
menos 50% todos os anos e isto desde há
30 anos.
Teremos ido demasiado longe e o regres-
so é agora impossível?
Teremos de continuar a aceitar um nú me -
ro incessante de doentes?
É bem difícil compreender o papel desem-
penhado pelas autoridades sanitárias em
matéria de saúde e prevenção. O sistema
comparticipa medicamentos que cada vez
se torna mais difícil justificar as suas provas
de eficácia, pois a doença aumenta cada
vez mais. Por outro lado, recusa-se a acei -
tar substâncias naturais, que não sendo
paliativas, permitem espaçar crises e após
tratamentos de longo termo eliminar com-
pletamente as crises, como por exemplo
no caso focado. Mas curiosamente, viven-
do nós numa sociedade democrática pela
qual lutámos durante séculos, em medici-
na, o doente, apesar de tudo, não tem
liberdade de escolher a medicina ou trata-
mento. Uma crise de confiança gera-se
en tre público e autoridades com o des -
contentamento constante dos doentes.
Actualmente caminha-se ao sabor do
vento na maneira de interpretar o doente
e de lhe resolver os problemas.
Tomemos como exemplo o caso de trans-
plantação de órgãos, digamos os rins. Há
da parte do sistema uma total incom-
preensão das razões da degeneração de
um órgão e anteriormente, nada se faz
para evitar a solução final. Já alguém se
preocupou em estudar os hábitos ali-
mentares destes grupos? Será humano
vermos um homem ou uma mulher de 30
anos condenados para toda a vida à
hemodiálise? E é inteligente deixá-los co -
mer alimentos pesados como um bom
prato de bacalhau bem adubado, quer por
ignorância, quer porque o médico disse
que podia comer de tudo?
Não seremos nós, em grande parte, o
resultado do que comemos?
A humildade perante estes casos deve ser
grande, e ninguém é detentor de soluções
infalíveis, mas esta mesma humildade deve
levar-nos à humanidade. Como estamos
longe do juramento de Hipócrates: "Acon -
selharei ao doente o regime que mais lhe
convém, com todo o meu saber e juízo e
evitarei, para o bem dele, qualquer inter-
venção prejudicial ou inútil." Muitas vezes
fazem-se intervenções que implicam uma
bateria de meios e de medicamentos alta-
mente traumatizantes e cujos efeitos le
-
vam ao aparecimento de doenças iatro -
génicas. Um medicamento é uma substân-
cia química que não pode ser prescrita
senão com precaução e profundo conhe -
ci mento de toda a realidade.
Face aos numerosos sintomas apresentados
por um doente, muitas vezes o médico
sente-se incapaz de tudo abarcar e o saber
adquirido nas universidades não é suficiente
para tudo interpretar. Os exa-mes efectua-
dos são negativos, as análises também não
dizem muito e não indicam o caminho a
seguir. Que fazer? Acalmar aqui, intervir ali
para ver o resultado. Mas um doente pode
muito bem sofrer simultaneamente de
depressão nervosa, hipertensão, colesterol,
insónia e dores articulares, e um remédio
para cada um destes casos é prescrito sem
qualquer regra ou conselho suplementar. É
uma atitude perigosa a longo prazo para o
organismo, pois o ser humano fabrica cer-
tas enzimas destinadas à sua defesa mas não
possui o equipamento enzimático comple-
to e necessário para transformar substâncias
químicas indesejáveis.
É também certo e aqui está a grandeza do
clínico, que hoje em dia existem nu me -
rosas situações em que este terá de fazer
uma escolha perante a gravidade da situ-
ação que se apresenta. E muitas vezes terá
que recorrer a substâncias fortes e relati-
vamente tóxicas. Todavia esta intervenção
não deve perpetuar-se ou tornar-se uma
rotina.
Todos os Ministérios da Saúde sabem que
a construção de novos e gigantescos hos-
pitais não tem diminuído o número de
doentes ou doenças.
E em que situação estamos actualmente?
Cada vez mais estes hospitais se tornarão
abismos dissipadores sem alterarem a situ-
ação das doenças. O hospital com o seu
valor indiscutível nas urgências, não dá
conforto nem educação aos doentes.
Se uma crise existe ao nível da medicina,
que possui as suas responsabilidades para
com o doente, esta deve também ser
apontada ao nível do público, que deve
cada vez mais tomar consciência do prob-
lema da saúde. Não é porque têm direito
à assistência que não devem manter-se em
saúde e tudo fazer para evitar a doença. O
médico não é Deus que tudo vai resolver.
Se transgredirmos as leis e princípios natu-
rais, é o nosso corpo que se ressente. É
também verdade que assistimos neste
momento na sociedade portuguesa a uma
mudança, pois cada vez mais pessoas
optam por um consumo de alimentos na-
turais, de vitaminas, e tentam uma solução
mais natural para os problemas de saúde.
Infelizmente os meios educativos são
restritos. Seria importante começar a
aprendizagem nas escolas, os princípios da
vida, a relação com a natureza, as regras
alimentares, ou o valor da nutrição.
O nosso psíquico está doente e cada vez
vivemos pior a nossa vida pela simples
razão de termos perdido a noção de
"modo de vida" tão bem explicado no iní-
cio do século pelos precursores do sis-
tema de medicina natural. Existe um
grande número de obras que deveriam
fazer parte das bibliotecas das faculdades,