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OPINIÃO/SAÚDE
esde há alguns anos que
a Medicina atravessa uma
grave crise quer nos seus mé -
todos de tratamento quer nas
bases em que se fundamenta.
A que distância se encontra a
Medicina dos nossos dias do
"Juramento de Hipócrates"?
Em bora este continue como
um símbolo da Medicina, será
que os seus princípios são res -
peitados?
"A medicina é uma Arte", diz
Hipócrates, "é a Natureza que
age na cura, a "arte" apenas aju -
da, e não cura senão através da
natureza".
A "arte médica", distingue três
termos: a doença, o doente e o
médico.
Infelizmente, ao longo dos anos constata-
mos que um destes termos tem perdido a
sua importância, deixando apenas lugar à
doença e ao médico. O doente em si
mesmo, isto é, o individuo, o ser humano
composto de um físico, psíquico e espírito,
animado por uma força vital, deixa de con-
tar neste contexto, o que é o mesmo que
deixar de existir.
Esta é já uma das malhas ou elos que vai
faltar no todo e que ajuda a provocar a
crise que toca hoje a medicina. O mau
estar é tão profundo que o homem da
sociedade moderna abate-se sob um pro-
fundo desequilíbrio psicossomático acom-
panhado de sintomas multi-diversos que
deixam a medicina numa grande incom-
preensão perante os padrões patológicos
estudados.
Os grandes precursores da medicina natu-
ral explicam que o organismo é uma parte
da natureza à qual está fortemente ligado e
que, se fica doente, não poderá recuperar
se não seguir as leis e princípios que o pro-
tegem da doença e o mantêm de saúde.
Quando o corpo humano está doente, a
força vital é chamada a restabelecer o
equilíbrio.
Existe uma analogia com a medicina chine-
sa, estes princípios são eternos, embora o
Homem tente subestimá-los e substitui-
los. Um exemplo bem elucidativo é o da
febre que tanto se combate e reprime,
como um agente malfeitor da doença.
"Dêem-me febre e curar-vos-ei uma
doença", dizia Hipócrates.
Eis que se descobre ultimamente, com
estupefacção, que a febre é uma reacção
natural do sistema imunitário, destinado a
"matar" um "invasor" microbiano. Até que
ponto não alterámos os mecanismos ge -
néticos de defesa impedindo-os de fun-
cionar?
Outro factor da crise repousa justamente
sobre a exclusividade absoluta do medica-
mento de origem química.
A medicina favorece desde há muito
tempo a molécula química sintética de
baixo custo, muitas vezes tóxica e cada vez
com menos resultados. Cada vez mais
paliativos que curativos, razões pelas quais
as grandes doenças actuais ficam sem
resposta.
Com o tempo e os hábitos, o corpo
humano torna-se um campo de experiên-
cia de tal maneira agredido pela quanti-
dade de substâncias químicas, que acaba
por não mais reagir. Cada vez as doenças
são mais graves, mais resistentes aos trata-
mentos, dando origem a uma nova era de
doenças auto-imunes, dificilmente expli
-
cáveis.
Ninguém pode esquecer também as
proezas indiscutíveis da medicina sempre
que se torna necessário identificar uma
patologia precisa através do rigor de testes
científicos capazes de identificar e medir a
parte física do ser humano.
Mas torna-se incapaz de discernir e
explicar certas doenças orgânicas, as
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A Crise da Medicina
e da Sociedade
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Serge Jurasunas
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