al que é a Aranco World, prosseguin- do a sua louvável missão de divulgar do mundo islâmico, trazia um interessante artigo sobre a samfire (designação inglesa), ou Salicornia bigelovii Torr (nome científico), planta que cresce abundantemente nos terrenos salgadiços. O artigo em questão dava-nos conta de experiências realizadas na Arábia Saudita com o cultivo e o aproveitamento da cita- da planta para fins alimentares e industriais. A salicórnia era semeada em areais irriga- dos unicamente com água do mar, através de extensos "pivots", totalizando cinco cír- culos de 50 hectares cada. A produção destinava-se a obter óleo ex - traído das sementes da planta, de alto valor alimentar, já que contém cerca de 72% de ácido linoléico, uma saudável gor- dura polinsaturada, que corresponde a mais do dobro do valor encontrado no óleo de soja. Para além da qualidade, salienta-se tam- bém a produtividade, visto que o conteú- do em óleo representa quase 30% do pe - so das respectivas sementes. Importa dizer que existem várias subespé- cies de salicórnias e outras plantas apa tativos mencionados na variedade árabe. propriedades semelhantes, no meadamente as que prolif- eram espontaneamente nos sapais do estuário do Tejo. Quem visita as chamadas "Sa - linas do Samouco", extensa área ecológica com 400 hec - tares, às portas de Lisboa, não deixa de se deslumbrar pe nante. E de facto, ela ali está à inteira dis- posição, mas nós, como somos "ricos", não a aproveitamos. "Dá Deus nozes a quem não tem dentes", lá diz o sábio provérbio que tão bem se aplica ao caso vertente. Que medida inteligente e proveitosa seria a criação de um pólo académico e de in - vestigação científica nas "Salinas do Sa elen car recursos endógenos! Fica aqui novamente o repto que, em épocas passadas e por mais de uma vez, lançámos ao Governo. Voltando à nossa salicórnia, diremos que é planta anual da família das amarantáceas, desenvolvendo-se em solos salinos en a uma inundação bi-diária por água salgada ou salobra. Trata-se de uma erva marinha e articulados, sem folhas e com flores minúsculas em for ma de espiga. É de re - conhecimento fácil, uma vez que as extremidades da planta fazem lembrar, no seu ple peus esses peque "es pargos do mar" e con- mente crocantes e possuem um sabor iodado. em saladas, ou cozidos, para acompa- nhar pratos de peixe e de marisco. Os franceses e holandeses confec- cionam "pickles" de salicórnia, incom- paravelmente mais saborosos do que aqueles avinagrados à venda nos super- mercados. Certas tribos nativas da América elaboram uma farinha bastante nutritiva a partir das sementes. Do seu óleo pode igualmente fazer-se um preparado anti-rugas. Convém colher as pontas de salicórnia no início da Primavera, quando as mes- mas estão tenrinhas. Se as apanharmos tardiamente, perdem interesse porque adquirem uma fibra lenhosa incomestível. Finalmente, convém ainda referir outros aspectos benéficos desta planta halófita (termo que significa vegetação salina), para a saúde dos seres humanos. Com efeito, para além das abundantes vita- minas, proteínas, ácidos gordos e sais biológicos altamente assimiláveis e vitais para o equilíbrio alimentar, é especial- mente recomendada para os hiperten- sos, uma vez que pode ser um vantajoso substituto do sal das cozinhas. ou massa juntamente com um bom ramo de salicórnias. Que tal? |