tido em mente, sobretudo, referências na área da saúde, ou seja, descrever plantas que servem para "chás", ou outros usos fitoterapêuticos que proporcionem curas ou alívios. Naturalmente que um homem de negócios encarará de outra forma, o termo "útil". Verá fundamentalmente o lucro que poderá obter com as madeiras, as essências, as resinas, etc., ou seja, com a comercialização das várias espécies de matérias-primas. cujas flores, pela sua beleza, constituem, para o contemplante, um autêntico bálsamo psíquico e espiritual. Na verdade, há orquídeas "lindas de morrer" que suplantam qualquer das chamadas dez maravilhas do mundo, criadas pela Humanidade de forma artificial. Lembro-me de, em tempos, ter visitado o orquidário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e anos mais tarde, o Jardim Botânico de Kandy (Sri Lanka), considerado o mais antigo do mundo. Pois, quer num lado, quer no outro, as sensações de puro deleite, perante tanta beleza, ficaram perenizadas no meu pen- samento. Estou firmemente convicto de que será possível preparar uma terapia, tendo por base a contemplação das mais bonitas orquídeas. "inteligentes" do reino vegetal. Porquê "inteligentes"? Porque pertencem a uma família de plantas superiores que atingem uma intri- gante complexidade, mormente no seu sistema reprodutivo. A configuração das flores, a com- binação de cores, formas e aromas, os locais e épocas em que desabrocham e a facilidade com que hibridam, assentam numa estratégia primorosa e sofisticada, que tem por fito a propagação da espécie. No que respeita às angiospérmicas (plantas que possuem óvulos em recipiente fechado), a família das orquídeas é provavelmente a que atinge maior número de espécies. De facto, até hoje, foram descritas "Orquidaceae", a que se juntam cerca de 60 mil híbridos naturais ou manipulados, estando catalogados 88 grupos com 660 géneros. É, indubitavelmente um mundo fascinante, quer para os cultores das belezas naturais, quer para os biólogos e cientistas. Contrariamente ao que muitos pensam, há sujeitas aos mais variados climas: nos desertos, nas regiões polares, nos países temperados e nas zonas tropicais, desde o nível do mar até às altas montanhas. Existem orquídeas enormes e outras do tamanho da cabeça de um alfinete. Naturalmente que é nos trópicos que as orquídeas aparecem maiores e mais vistosas. espécies de orquídeas, todas legalmente prote- colheita é, por isso, ilegal. Or suir um amigo espe- cialista, de resto tam- bém insigne esperantista, que uma vez por ano, orga- niza passeios pedestres à Arrábida, no âmbito da Liga dos Amigos do Jardim Botânico da Fa observar orquídeas. das outras famílias botânicas, devido principal- mente à sua estrutura floral. As flores das orquídeas encontram-se em simetria bilateral e são constituídas por três sépalas (a parte mais exterior) e três pétalas (a parte mais interior). Uma das pétalas, o labelo, é diferente das ou- tras, quer pela forma, aparentando um aspecto de lábio, quer por ser maior e ter cores mais vistosas. O labelo fica sempre num plano infe- rior ao das outras pétalas. E não direi mais para não complicar. gadora das vezes, por insectos específicos - besouros, zângãos, moscas, borboletas, etc. As flores possuem uma estrutura tão complexa que força o insecto a contactar as políneas (massas cerosas onde se agrupam os grãos de pólen), levando-as para outra flor, onde as deposita involuntariamente no sítio certo. Sucede amiúde, que o labelo das flores imita, quase na perfeição, a fêmea do insecto poli- nizador, de tal sorte que ele é atraído, aconte- cendo o que se chama a pseudo copulação. Coitado do insecto ... No tocante à sua "inteligência" para explorar outros seres, vejam só que há quem considere estarem as orquídeas para o reino vegetal, como o Homem para o reino animal. De facto, além de enganarem "indecentemente" os insectos para seu exclusivo proveito, elas asso- |