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Sempre que viajo, e viajo sem-
pre que posso, imbuído da
absoluta convicção de que via-
jar é aprender, se para isso,
levarmos os sentidos bem
abertos, costumo registar
através da escrita, o que vejo
e sinto para que não se
apague da memória, as sen-
sações que, em catadupa, vão
acontecendo momento a
momento. Venho também car-
regado de
souvenirs, quase
sempre apenas de valor sub-
jectivo por constituírem meras
pontes que ligam quotidianos
a recordações. Quando con-
templo esses objectos, lembro-
me das peripécias das viagens
e o que nelas mais me foi
impressionando.
É um pouco antiquada esta prática rotineira,
bem sei. Hoje em dia, há sofisticadíssimas
fotografadoras e filmadoras que captam, num
ápice, detalhes pitorescos das digressões e um
turista que se preze não as dispensa. Mas não
gosto, não tenho paciência para carregar e usar
tais instrumentos. Se gasto o tempo a focar e a
afinar os aparelhómetros, desvio a atenção do
que considero mais decisivo. Devo confessar
que, em tempos passados, ficaram-me traumas
que ainda não tive coragem de ultrapassar, por
isso, prefiro tomar notas e escrever descon-
traidamente, à vol d'oiseau, que mais tarde
recordo, lendo e relendo ... ou então, arrumo
os escritos no baú das coisas do passado para
voltar a elas, quiçá, num dia de "são nunca à
tarde".
Encanta-me de sobremaneira os aspectos
florísticos das regiões e dos países e
procuro visitar os diversos jardins botâni-
cos, verdadeiros museus vivos plenos de
ensinamentos, onde se estimula a obser-
vação e se adquire conhecimentos de forma
empírica, quase que por radioestesia.
Honro-me e orgulho-me de ter já visitado os
mais significativos espaços botânicos do
mundo, desde os fantásticos Kew Gardens
de Londres
, (talvez os cientificamente mais
importantes), passando pelo Jardin des Plantes
de Paris e outros sim-
ilares em Washington,
Rio de Janeiro, Havana,
Santo Domingo, Roma,
Madrid, Genebra, Maribor (Eslovénia), Goa,
Sidney, Melbourne, Wellington (Nova
Zelândia), Kuala Lumpur, Kandy (Sri
Lanka)
, Pyonyang (RPD da Coreia), etc.
Com pequenas lembranças, trago também
abundante documentação e livros sobre plan-
tas, alguns até, vertidos em línguas que não
domino (felizmente os nomes científicos da
flora têm expressão universal). É o que se pode
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