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Trata-se de uma das espécies
mais raras de Portugal, já mal re-
presentada nos arquipélagos por-
tugueses, encontrando-se, inclu-
sive, na Red List da IUCN, como
espécie ameaçada e em vias de
extinção. Mesmo assim, é possí-
vel encontrar alguns exemplares
em território continental, como
por exemplo, no Jardim Botânico
da Ajuda, nas encostas do
Castelo de São Jorge e no
Parque das Nações, em
Lisboa; no Parque de
Monserrate, em Sintra, ou
na Aldeia do Meco, em
Sesimbra.
O seu nome científico é Dracaena
Draco
(do grego drakaina =
dragão e do latim draco =
dragão) e inclui-se na família das
agaváceas, juntamente com os
agaves, as pitas e as iucas. Alguns
autores incluem-no numa família indepen-
dente, as dracéneas.
Na realidade, o dragoeiro não é uma
árvore, mas sim uma erva gigante, uma
planta arborescente que não emite ver-
dadeiros anéis lenhosos de crescimento
em espessura e que pertence a um estra-
nho grupo de plantas com câmbio extra-
fascicular (um tipo de tecido vegetal).
Como se desenvolve muito devagar,
demora cerca de 10 anos a atingir 2 a 3
metros de altura. Assim, as plantas mais
antigas podem atingir os 20 m
de altura, apresentando um
impressionante tronco casta-
nho-acinzentado em forma de
tonel (devido à ramificação
dicotómica, ou seja, ramos
separados que originam uma
coroa multi-dividida). O dra-
goeiro floresce a cada 15 ou 20
anos, raramente a cada 10
anos, nos meses de Agosto e
Setembro, mas certos anos são
excepcionais para a floração,
como aconteceu em 1998, em
La Palma.
As suas folhas agrupam-se nas
extremidades dos ramos e
podem chegar a medir 60 cen-
tímetros de largura. As flores
são de cor creme, com 6 péta-
las e 6 estames, e apresentam-se em
grandes cachos. Os frutos, bagas esféricas
e rugosas, de cor alaranjada ou averme-
lhada, podem ser consumidos, pois em-
bora não tenham muita "carne", são ligeira-
mente doces.
BOTÂNICA
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O dragoeiro
longevidade
e mistério
O dragoeiro é uma planta rodeada
de mistério, à volta da qual surgem
mitos devidos à sua estranha
forma, suposta longevidade e ao
seu "sangue", uma resina ou goma
vermelha que brota do seu tronco
quando é cortada. Uma planta
originária da Macronésia (Madeira,
Canárias e Cabo Verde), o dra-
goeiro apresenta-se em estado sel-
vagem, em escarpas, rochas e
locais inacessíveis.
Por: Filipa Pires