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P
assa despercebida em quase todo o
ano mas, quando chega o Outono, eis que
a vara-de-ouro emerge radiosa da secura
dos terrenos, enchendo a paisagem de
pequenas flores douradas no cimo de
esguios caules. E perante a escassez de flo-
res que atingiram a plenitude na Primavera
ou no início do Verão, é à vara-de-ouro
ou vergáurea que as abelhas vão colher o
precioso pólen.
Na verdade, a planta é rainha em
Setembro e Outubro, predominando nos
terrenos ermos, pedregosos e pobres de
todo o país, desde que expostos ao sol. A
fartura é tanta que pouco valor se atribui e
há quem a considere planta vulgar de
"baixa condição".
Todavia, a Solidago virgaurea L. pertence à
aristocrática família das compostas ou
asteráceas. É herbácea vivaz, de rizoma
nodoso e torcido, com caule vertical, cilín-
drico e pubescente (provida de pequenos
pêlos) que atinge facilmente um metro de
altura, apresentando-se violáceo na
extremidade inferior.
As folhas, verdes um tudo-nada acinzen-
tadas, são ovais e compridas. As inferiores
são mais largas e dentadas, enquanto as
superiores são pequenas e sésseis.
As flores aparecem em ramalhetes de
estrutura tubulada com brácteas, estames
e pistilo bem pronunciados.
As sementes constituem-se em aquénios
com cerca de quatro milímetros de com-
primento.
Toda a planta está envolvida por uma subs-
tância resinosa de cheiro intenso que não
atrai os mamíferos herbívoros.
A composição química da vara-de-ouro
incorpora taninos, saponina (que aumenta
à medida que a planta cresce), glicósidos
flavónicos, ácidos e uma pequena quanti-
dade de óleo essencial.
Desde tempos remotos são conhecidas as
suas propriedades adstringentes, diuréticas
e anti-inflamatórias.
O Dr. Lyon de Castro recomendava uma
tisana de flores (25g a 30g para um litro de
água) para tomar três vezes ao dia no
intervalo das refeições a fim de debelar
diarreias e favorecer a limpidez das urinas.
Associada à grama e à uva ursina, é eficaz
para as doenças da bexiga e da próstata.
Desinfecta a faringe e a laringe sob a forma
de gargarejos. Cicatriza admiravelmente
erupções cutâneas e outras feridas da pele.
O famoso Leclerc aconselhava o xarope
(100g de flores, 1,5kg de açúcar e 1 litro
de água) para estancar as enterites dos
bebés.
O "chá" concentrado da
vara-de-ouro,
acrescentado à
água do banho, tonifica os músculos e
rejuvenesce as peles envelhecidas.
A planta é bem conhecida da cosmética
industrial, fazendo parte de fórmulas de
cremes para limpeza da pele e activação
dos vasos capilares.
Alguns autores apontam ainda uma
alcoolatura e uma tintura baseada na vara-
de-ouro, para usos homeopáticos.
FITOTERAPIA
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Vara-de-
ouro
Solidago virgaurea L
Por: Dr.Miguel Boieiro
Saúde
Actual