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dificuldades de leitura e menor capacidade cog-
nitiva que as crianças que apresentavam níveis
plasmáticos mais elevados [13]. Outro estudo
realizado em crianças com dislexia demonstrou
que estas apresentam muitas vezes uma
diminuição da capacidade de adaptação ao
escuro. A suplementação com óleo de peixe
(480 mg/dia de DHA) durante um mês nestas
crianças melhorou a visão corpuscular (visão a
baixa luminosidade) [14].
A PDCM afecta aproximadamente 5% das cri-
anças em idade escolar, caracterizando-se por
deficiências na função motora, associada a difi-
culdades na aprendizagem, comportamentais e
na integração psicossocial. A suplementação
com ácidos gordos ómega 3 nas crianças com
esta perturbação resulta numa melhoria no seu
comportamento, na capacidade de leitura e de
aprendizagem [15].
Importância do ómega 3
nos adultos e idosos
Diversos estudos têm demonstrado que os áci-
dos gordos ómega 3, nomeadamente o EPA e
o DHA, são essenciais para o desenvolvimento
e manutenção da estrutura e funcionamento
normal do cérebro, tornando-se importantes
na regulação do humor, na prevenção do
stresse e do declínio cognitivo associado ao
envelhecimento.
A deficiência em ácidos gordos
ómega 3, nomeadamente em
DHA, está associada a pertur-
bações neurofisiológicas que
incluem declínio cognitivo,
diminuição da acuidade visual e
diminuição da função do cerebelo
[1]. Estudos experimentais de-
monstraram que uma deficiência
em ácidos gordos ómega 3 provo-
ca défices comportamentais e cog-
nitivos, nomeadamente a nível da
aprendizagem, memorização e
habituação, associados a alterações
do metabolismo de alguns neuro-
transmissores. Estes défices neu-
rofisiológicos são facilmente corrigidos através
da suplementação da dieta com ácidos gordos
ómega 3 [2]. Por outro lado, diversos investi-
gadores sugerem que a deficiência em ómega 3
poderá estar envolvida na etiologia de pertur-
bações neurológicas como a depressão e com-
portamentos agressivos (doença bipolar e
esquizofrenia) e no declínio cognitivo associado
ao envelhecimento [2].
A doença de Alzheimer é uma doença neu-
rodegenerativa e debilitante que causa perda
de memória, demência e alterações de per-
sonalidade. Esta doença tem origem na for-
mação de placas de uma protéina designada
por beta-amilóide que se crê serem neurotó-
xicas para os neurónios. Vários estudos
demonstram uma redução de 60% na incidên-
cia de doença de Alzheimer nos indivíduos que
fazem pelo menos uma refeição de peixe por
semana. Nesses mesmos estudos foi verificado
que a actividade neuroprotectora exercida pelo
ómega 3 se deve fundamentalmente ao DHA e
que os indivíduos com doença de Alzheimer
apresentam baixos níveis de DHA nos
neurónios do hipocampo, região do SNC
responsável pelo armazenamento de memória.
Estudos recentes demonstram que o consumo
de DHA aumenta a produção da protéina
LR11 que se encontra deficitária nos indivíduos
com Alzheimer e que é conhecida por destruir
as placas de beta-amilóide [16]. Todos os estu-
dos realizados em situações de Alzheimer
demonstram que a suplementação com DHA
não somente melhora a memória recente
como também o declínio cognitivo associado à
idade.
Quantidade diária
recomendada de ómega 3
e DHA
A dosagem diária recomendada de ómega 3
difere com o objectivo clínico pretendido e
idade do indivíduo. Muitas orientações de
dosagens diárias recomendadas têm sido
fixadas por organizações conceituadas (tabela
1) sendo as gamas propostas variáveis à luz da
evidência clínica existente no momento da
recomendação para determinado grupo popu-
lacional.
Tabela 1. Orientações para dosagens
diárias recomendadas para EPA e DHA
por diferentes organizações.
Encontram-se propostas alegações de saúde
para o DHA pela Agência de segurança alimen-
tar britânica (Food Standards Agency) com as
seguintes dosagens diárias recomendadas:
*
Gravidez e aleitamento (saúde materna):
Consumo diário de uma ou múltiplas fontes
fornecendo um mínimo de 200 mg de DHA.
*
Desenvolvimento mental e visual:
Consumo diário de uma ou múltiplas fontes
fornecendo um mínimo de 200 mg de DHA.
*
Desenvolvimento neurológico: 160 a 300
mg por dia para mulheres grávidas ou a ama-
mentar.
*
Optimização da maturação cerebral: 55 a
160 mg por dia.
Importância da selecção
criteriosa do ómega 3
consumido
Atendendo à evidência clínica do consumo de
ómega 3 e considerando que as fontes mais
ricas destes ácidos gordos são de origem
marinha, recomenda-se a ingestão de pelo
menos duas refeições de peixes ricos em
ómega 3 por semana. A administração de
suplementos que veiculam os ómega 3 de
forma concentrada será uma alternativa a con-
siderar sempre que o consumo destes ácidos
gordos for insuficiente com a dieta.
A contaminação de alguns peixes marinhos
com elevados níveis de mercúrio, dioxinas e
outros contaminantes ambientais pode induzir
maiores riscos do que benefícios para a saúde,
sendo os riscos superiores em mulheres grávi-
das ou a amamentar e em crianças de tenra
idade. Reverte-se pois de fundamental
importância a selecção de fontes de ómega
com elevados critérios de pureza. Actualmente
é possível encontrar-se no mercado suplemen-
tos de ómega 3 de elevada qualidade prove-
nientes de óleos de peixes submetidos a exi-
gentes processos de purificação e concentração
que permitem garantir isenção de poluentes
ambientais (metais pesados e pesticidas). Os
óleos de ómega 3 provenientes de algas mari-
nhas serão a opção mais segura e equilibrada
para a suplementação de DHA em grávidas,
lactentes e crianças de tenra idade dado apre-
sentarem superior perfil de segurança.
Dra.
Laura Ribeiro
Directora do Departamento de
Investigação e Desenvolvimento da
Labialfarma (www.labialfarma.com),
docente da licenciatura de Farmácia
na Escola Superior de Tecnologias da
Saúde de Coimbra
(www.estescoimbra.pt), investigadora do
Centro de Estudos Farmacêuticos da
Universidade de Coimbra.
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