bilidade, fluidez, menor densidade e elevada funcionalidade às membranas. Devido aos seus efeitos na transmissão sináptica, na mielaniza- ção e no processamento do SNC, os ácidos gordos ómega 3 influenciam a velocidade de aquisição e processamento da informação. Por essa razão os ácidos gordos ómega 3 criam localmente no cérebro um ambiente ideal para a troca rápida de informação entre os neurónios. Por outro lado, os microvasos cere- brais, que controlam o aprovisionamento de sangue do cérebro e asseguram em grande parte a eficácia da barreira hemato-encefálica, possuem igualmente membranas ricas em áci- dos gordos ómega 3, susceptíveis de modular certas actividades enzimáticas ou de transporte, como a da glicose, garantindo o fornecimento de energia aos neurónios [2]. para a neurotransmissão, modulando a síntese, libertação, recaptação e o metabolismo de neurotransmissores (serotonina, dopamina, acetilcolina, etc.) e podem funcionar ainda como precursores de prostaglandinas e trom- boxanos com propriedades anti-inflamatórias [1]. Foi descoberto recentemente um docosanóide bioactivo derivado do DHA, a neuroprotectina D1, que parece estar envolvi- da na redução do dano oxidativo e da infla- mação neuronal, protegendo o SNC do dano cognitivo [3]. gravidez resulta em benefícios evidentes para mãe e filho. No decorrer da gravidez, o feto depende completamente das fontes de DHA maternas provenientes das reservas lipídicas, da dieta ou da suplementação nutricional materna. Durante a vida fetal, a placenta transporta selectivamente e em quantidade significativa AA e DHA da mãe para o feto. Durante o terceiro trimestre da gravidez, há uma deposição ávida de DHA no fígado, cérebro e retina do feto a uma razão de 4,13g de ácidos gordos essenci- ais por semana (isto é, 0,59g por dia). A gravidez conduz à depleção progressiva do DHA plasmático materno, provavelmente de- vido ao aporte acrescido deste nutriente crítico para o SNC fetal em desenvolvimento. restituídas lenta e incompletamente durante um período de 5 a 6 meses. Existe alguma evidência de que esta depleção do DHA das reservas maternas está relacionada com a depressão pós-parto. Durante o período pós- natal, as necessidades de DHA do recém-nasci- do são satisfeitas através do leite materno. O conteúdo em DHA do leite humano é no mín- imo 30 vezes superior ao do leite de ou-tros mamíferos, podendo ser ainda favorecido através da administração de uma dieta ou de tação. lheres grávidas e a amamentar o consumo de ómega 3 resulta em menor incidência de depressões pós-parto e em maior concen- tração de DHA no leite materno. Tem sido su- gerido que o consumo de suplementos de ómega 3 durante a gravidez e lactação possa promover uma melhoria no desenvolvimento cognitivo e visual do lactente [4-7], pelo facto do leite materno ser naturalmente rico em DHA e AA. Por essa mesma razão, a maioria dos leites para bebés apresentam actualmente na sua composição DHA e AA de forma a simular o leite materno. recém-nascidos prematuros pelo facto destes apresentarem deficiências em ácidos gordos ómega 3 por não terem permanecido no útero durante a totalidade do terceiro trimestre de gravidez, isto é, durante o período em que se verifica um transporte de DHA mais significativo para o cérebro do feto. Nestes estudos avaliou-se o efeito da suplementação com DHA no desenvolvimento visual e cogni- tivo destes recém-nascidos tendo-se verificado que a suplementação com DHA favorece a performance mental e desenvolvimento psico- motor nos recém-nascidos [8]. Um aporte adequado de ácidos gordos ómega 3 é igual- mente importante no desenvolvimento visual e mental e no processamento da informação de recém-nascidos não prematuros tendo sido demonstrado que a suplementação com DHA + AA promove melhorias na capacidade int- electual das crianças [1, 3]. necessidades de ómega 3 são atingidas exclusi- vamente através do consumo de uma dieta rica em ácidos gordos ómega 3. Desta forma, o consumo adequado de ácidos gordos ómega 3 é especialmente importante para as crianças em idade escolar. Considerando que muitas crianças têm um consumo insuficiente na sua dieta destes nutrientes, presentes principal- mente no peixe, a suplementação com ácidos gordos ómega 3 é uma alternativa adequada para suprimir as deficiências da dieta e propor- cionar um desenvolvimento saudável a estas crianças. Actualmente as melhores formas de administração de suplementos ricos em ómega 3 em crianças são as emulsões e cápsulas mastigáveis de ómega 3 pelo facto de permi- tirem uma toma facilitada pelas crianças. tem um impacto profundo no comportamento, concentração e performance intelectual das cri- anças. Numa análise do Third National Health and Nutrition Survey, um inquérito alimentar 1997/98, foi avaliada a associação entre a ingestão de ácidos gordos poli-insaturados de cadeia longa e a performance cognitiva e psicos- social em crianças com idades compreendidas entre 6 e 16 anos. Verificou-se que um maior consumo de ácidos gordos ómega 3 e ómega 6 está associado a uma melhoria da memória a curto prazo destas crianças [9]. Outros estudos demonstram que carências plasmáticas de ómega 3 estão associadas a maior frequência de problemas de comportamento, birras, alte- rações do sono, problemas de aprendizagem e de saúde [10]. Existe evidência clínica que sugere que alte- rações do metabolismo dos ácidos gordos poli- insaturados podem estar na origem de diversas perturbações do neurodesenvolvimento, tais como a Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA), a dislexia, a dis- praxia ou Perturbação do Desenvolvimento da Coordenação Motora (PDCM) e o autismo. Estas perturbações de neurodesenvolvimento apresentam como característica comum níveis plasmáticos reduzidos de ácidos gordos poli- insaturados e baixo conteúdo dos mesmos nas membranas dos eritrócitos. Diversos estudos demonstraram que cerca de baixos níveis plasmáticos de ácidos gordos ómega 3. A suplementação com ácidos gordos ómega 3 pode contribuir para a prevenção da PHDA e melhorar a capacidade de aprendiza- gem e a performance académica destas crianças como demonstrado em diversos estudos clíni- cos [11].Para além do referido, a suplemen- tação com ácidos gordos ómega 3 pode ter um efeito benéfico no comportamento anti-social, na violência e impulsividade. Num estudo clíni- co realizado em 166 crianças em idade escolar (9-12 anos), a administração de alimentos forti- ficados com óleo de peixe durante 3 meses promoveu uma diminuição da agressividade física manifestada pelas crianças, incluindo a impulsividade em crianças diagnosticadas com PHDA [12]. idades entre 8 e 12 anos, verificou-se que as crianças com níveis mais baixos de ácidos gor- dos ómega 3 apresentavam também maiores |