poli-insaturados de cadeia longa, essenciais para o bom funcionamento do organismo. Existem três tipos de ácidos gordos ómega 3: o ácido - linolénico (ALA), derivado de fontes vegetais tais como óleos de linhaça, de canola e de noz, e os ácidos docosahexaenóico (DHA) e eicos- apentaenóico (EPA), cuja proveniência é de fontes marinhas, tais como peixes gordos entre os quais cavala, sardinha, atum, arenque e salmão, crustáceos ou algas marinhas. O EPA e DHA também podem ser obtidos a partir do ALA sendo porém a conversão metabólica de ALA em EPA e DHA limitada nos humanos, já que apenas cerca de 10 a 15% do ALA ingeri- do é convertido em EPA e DHA, sendo insufi- ciente para suprir as necessidades do organis- mo. tanto considerados essenciais ao organismo pelo facto de não serem sintetizados endoge- namente e serem então supridos unicamente através da dieta alimentar. É de extrema importância garantir um correcto balanço entre a ingestão de ácidos gordos ómega 3 e ómega 6 uma vez que ambos contribuem para o esta- do de saúde do organismo. Os ácidos gordos ómega 3 ajudam a reduzir estados infla- matórios, enquanto os ácidos gordos ómega 6 tendem a promover estados inflamatórios. Um desequilíbrio do aporte destes ácidos gordos pode contribuir para o aparecimento de doenças enquanto um correcto aporte dos mesmos tende a manter e promover o estado de saúde. Uma dieta saudável deverá incluir cerca de 2 a 4 vezes mais ómega 6 do que ómega 3. Porém a dieta ocidental actual ómega 6 e quantidades insuficientes de ácidos gordos ómega 3, ocorrendo frequentemente um desequilíbrio do balanço entre ómega 3 e ómega 6, que determina a necessidade de suplementação com ómega 3. últimas duas décadas sugerindo que os ácidos gordos ómega 3 podem ser úteis no tratamen- to e prevenção de várias patologias. A evidên- cia clínica é superior para patologias de foro cardiovascular mas a pesquisa realizada tem-se diversificado noutras áreas terapêuticas impor- tantes. cumentadas dos ácidos gordos ómega 3 incluem prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares exercendo uma acção impor- tante na diminuição dos níveis plasmáticos de triglicéridos, apresentam actividade hipotensora ligeira e favorecendo ainda a diminuição dos estados pró-inflamatório e pró-trombótico; diabetes, associado a alteração da tendência dos indivíduos com diabetes apresentarem ele- vados níveis de triglicerídeos e baixos níveis de colesterol HDL, bom colesterol; prevenção e tratamento de doenças inflamatórias osteo- articulares, nomeadamente osteoartrite e artrite reumatóide; prevenção de estados patológicos do foro psíquico como depressão, doença bipolar, esquizofrenia e hiperactividade ou deficit de atenção; doenças cutâneas infla- matórias; síndrome de cólon irritável; asma e prevenção da degeneração macular associada com a idade e prevenção do cancro da mama, Por outro lado, são reconhecidas as impor- tantes funções e benefícios dos ácidos gordos ómega 3 na melhoria da performance cognitiva, aprendizagem e memória desde o período pré-natal até à idade sénior, logo benefícios visíveis em vários estágios do ciclo de vida. relação entre a saúde e os alimentos que inge- rimos. Nos últimos anos isso tem sido com- provado cientificamente. Os alimentos que comemos influenciam o funcionamento do nosso organismo e exercem uma acção marca- da sobre o funcionamento do cérebro. O cére- bro humano é uma estrutura complexa. Representa apenas 2% do nosso peso total e utiliza aproximadamente 20% do oxigénio con- sumido pelo nosso corpo em estado de repouso. Encontra-se em permanente activi- dade e as suas funções são muito variadas, delas dependendo a nossa capacidade de andar, ver, ouvir, pensar, criar, aprender, sonhar, tomar decisões, sentir, e tantas outras activi- dades fundamentais para a nossa sobrevivência e evolução da inteligência. Considerando que cerca de 50 a 60% do peso seco do cérebro de um adulto é composto por lípidos e que os ácidos gordos insaturados, incluindo ácidos gordos ómega 3 (DHA) e ómega 6 (AA) cons- tituem cerca de 35% do conteúdo lipídico do cérebro [1], facilmente se compreende a importância destes ácidos gordos na manutenção estrutural das membranas celu- lares neuronais, nas conexões entre as células neuronais, facilitando a comunicação inter-neu- ronal e participando no correcto funcionamen- to e optimização das funções cerebrais. Os ácidos gordos ómega 3, particularmente o DHA tem funções muito importantes na manutenção da integridade e fluidez das mem- branas celulares neuronais, da bainha de mieli- na (essencial para a rápida condução dos impul- sos nervosos) e das terminações nervosas, garantindo a neuroplasticidade do sistema ner- voso central (SNC). Têm um papel estrutural |