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A coordenadora da
Brahma Kumaris para a
Europa esteve em
Portugal no passado mês
de Julho e concedeu à
Saúde Actual uma entre-
vista exclusiva. Bacharel
em Letras e Ciências
Políticas pela Universidade
Punjab em Delhi,
Didi
Sudesh
estuda e ensina
o conhecimento do Raja
Yoga há mais de 45 anos.
Em Lisboa, participou em
conferências e encontros,
onde partilhou a sua visão
sobre "As Leis do Amor" e
"Meditação e Auto-
Realização".
SA:
Agrada-lhe o nosso país?
DS:
Sim, já cá estive muitas vezes. O ambi-
ente é muito simpático e os portugueses são
muito parecidos com os indianos, "leves",
amigáveis, de relacionamento fácil, e com um
profundo interesse espiritual e o desejo de
compreender as leis da espiritualidade.
SA:
Pensa que o amor é vital para o entendi-
mento entre as pessoas?
DS:
Para falarmos com amor, temos que
entender esta força. Quando nos entendemos
uns aos outros, podemos falar com amor. O
amor é o abandono das impressões passadas, e
possibilita-nos ter o coração aberto para aceitar
os outros. Além disso, com um coração e uma
compreensão abertas, podemos desenvolver o
respeito, a esperança, e criar relações eternas
uns com os outros, trocando ideias sem qual-
quer medo nem hesitação, sem qualquer prob-
lema. O amor é uma qualidade, que nos enche
de energia, quando supera o egoísmo. O mais
importante é amarmo-nos a nós próprios antes
de amar os outros; e amar a Natureza.
SA:
E o que nos pode dizer sobre a ecologia
humana?
DS:
Actualmente, a vida dos seres humanos
baseia-se apenas no que é visível e imediato.
Deveriam preocupar-se mais com a ecologia,
com o que é natural, tomar conta dos elemen-
tos naturais, com amor. Ao incentivar estas
vibrações positivas, a energia desenvolve-se
mais depressa, limpa e poderosa. Então, a
natureza também deseja experimentar as
vibrações positivas propostas pelo amor.
Infelizmente, a maioria das pessoas não deixa
de fumar e beber álcool, poluir, prejudicando a
atmosfera e o meio ambiente. Temos ofertas
tão maravilhosas, por parte da Natureza, todos
os elementos (água, fogo, ar, terra) deveriam
ser apreciados, sem nos apoderarmos deles de
modo demasiadamente possessivo e sem usá-
los de forma incorrecta, esgotando-os. Então,
o amor pelo meio ambiente implica primeira-
mente o amor por nós próprios. Para con-
seguir tratá-lo bem, a mente humana tem de
ser boa e inteligente, com as ideias bem
definidas. Isto é muito importante: amarmo-
nos a nós próprios antes de amar os outros; e
amar a Natureza. Desenvolver a experiência
do amor entre os seres humanos.
SA:
O que pensa sobre os problemas do
planeta Terra, as alterações climáticas, por
exemplo? O que será de esperar no futuro?
DS:
Estamos a atravessar um período em que
os elementos, a Natureza, reagem. Mas as pes-
soas irão entender brevemente, após estas
reacções (tsunamis, calamidades naturais, etc.),
que já provocaram muito mal à sua própria
espécie, ao não tratar os elementos com amor
no passado. Esta alteração na sua atitude terá
de acontecer, as pessoas terão que se tornar
menos possessivas em relação ao que as
rodeia, e terão que devolver a liberdade à
Natureza. Quando os elementos naturais são
livres, as suas vibrações são positivas e as suas
energias voltarão a ser positivas. Então, todos
os alimentos poluídos e envenenados que con-
sumimos actualmente voltarão a ser frescos e
naturais. Estamos agora na transição de um
período, temos que passar de um extremo
negativo para um extremo positivo, de um sen-
tido completo de posse, temos que passar para
uma completa liberdade (ser livres do medo
das consequências das acções humanas, ten-
sões, distribuições da riqueza, etc.).
SA:
Qual a importância da meditação para a
auto-realização?
DS:
A pessoa que deseja meditar, seja um
político ou um cientista, pretende atingir a paz
de espírito. Todas as pessoas desejam atingir a
felicidade e a harmonia, ser livres de qualquer
tensão, e para tal a meditação é muito impor-
tante. Meditar significa encontrar o verdadeiro
ser, percebermos o nosso verdadeiro potencial
de energias, expressarmo-las da forma mais
correcta, para que as outras pessoas também
se conseguiam sentir em harmonia connosco.
Percebemos que somos uma alma, e que a
expressamos através do corpo (que não passa
de um instrumento, que poderá ser utilizado
por nós, mas que não consegue tomar conta
de si próprio). 80, 90% das doenças no corpo
são devidas a situações psicossomáticas. Então,
temos que entender a nossa mente, como fun-
ciona, quais são as suas qualidades, assim como
o nosso intelecto e a nossa personalidade. Os
pensamentos negativos, desnecessários, tor-
nam a mente cansada e por isso muitas pessoas
não estão bem, não conseguem dormir, e pen-
sam que é muito difícil disciplinar a mente. Mas
não temos que disciplinar a mente, temos que
a entender. E temos que aprender a apreciar a
felicidade, o positivismo da nossa mente, para
que nos consigamos concentrar naturalmente.
Através da meditação, relacionamo-nos com a
alma suprema e conseguimos libertar-nos dos
pensamentos e vibrações negativas. Tal como o
sol afasta a escuridão exterior, a meditação afas-
ta a escuridão interior, substituindo-a pela felici-
dade e pela espiritualidade.
SA:
O que pensa da Índia da actualidade?
DS:
Por um lado, está a expandir-se, com
toda a tecnologia, mas por outro lado, man-
tém-se o poder regional da espiritualidade,
muito forte. Então existe um equilíbrio entre o
espiritual e o material, e os outros países, em
contacto com a Índia, têm a oportunidade de
explorar os negócios, mas também a espiritua-
lidade, a simplicidade. E deste modo, pode tra-
balhar-se sem muita tensão.
ENTREVISTA
Saúde
Actual
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